O Blogue da Família

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Lembro-me do nosso paizinho descendo no seu passo calmo à praia da Cerca Nova, a entrar no mar gelado e agreste, a nadar vencendo as ondas com as suas braçadas.
A nossa mãezinha tremia por ele na praia, por causa do coração que era fraco, mas nós, o seu RAMALHETE, tremíamos de orgulho!

Que, no misterioso mar da eternidade em que acabou de entrar, o nosso paizinho tenha encontrado a doçura de uma maré tranquila e azul, sob o terno olhar de Deus.

Por Tia Teresa
Missa de dia 15 de Setembro de 2009

Umas gambas marchavam...

Fui ver o Avô pela última vez na 5ª feira passada, faz hj uma semana - levei lá a Avó. Achei-o mto fraco ( n o via desde antes de ir p PC), mas sp a querer conversar, mto.
Perguntei-lhe se lhe apetecia alguma coisa em especial para comer, p exº umas gambas. Disse-me c os lhos mto abertos q sim, q «umas gambas marchavam», mas a Avó disse lg q n devia poder pq estava de dieta. O Avô respondeu q ia perguntar aos médicos e q talvez c pouco sal pudesse. Prometi q lhe levava qdo lá voltasse e q iria c o Miguel, q tb queria voltar a visitá-lo...

Partilhado pela Joana no Facebook, dia 17/09

Vai, vai, filha... Não te prendas!

Nestes dias, trago comigo a imagem do Avô sempre sorridente e caloroso,
o abraço firme que me dava quando me via e a festa que sempre fazia quando o visitava,
as longas conversas, nunca maçadoras, sempre ricas, em que aprendia tanto,
o piano e o jazz,
tanta coisa boa..
parece que o estou a ver e a ouvir a toda a hora...

e lembro também que sempre que estava com o Avô e chegava a hora de ir embora, me dizia: "vai vai filha...pois claro!...não te prendas!...", com um sorriso
acho que foi assim que quis partir, sem maçar, sem grande alarido, como quem diz, "eu fico bem, não se prendam, sigam a vida!"

um grande beijinho a todos,
margarida
(Troca de e-mails "Pensamentos sobre o Avôzinho...")
Na véspera da sua partida, domingo passado, o avô quase não almoçou, muito fraquinho, mas no fim pediu-me um descafeinado, o que lhe foi autorizado pela enfermeira. Depois de o bebericar, queixando-se de que não estava doce a seu gosto, acrescentou: "Se eu soubesse que havia cá descafeinados, já tinha pedido há mais tempo."

Partilhado pela Tia Teresa
O que é bonito neste mundo, e anima,
É ver que na vindima
De cada sonho...
Fica a cepa a sonhar outra aventura…
E que a doçura
Que se não prova
Se transfigura
Numa doçura
Muito mais pura
E muito mais nova…

Miguel Torga
(postado no Facebook pela Joana)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O nosso tão querido Avô António

Tanta vida partilhada... do carrocel ao pôr do sol em Porto Côvo passando pela Dione na Alvares Cabral!...
Talvez a minha primeira memória do avô seja a do seu primeiro enfarte; em casa dos meus pais, teria eu uns 5 anos, nem sei, gerou agitação, o meu pai saira a correr, nós ficámos sem nada perceber, o avô... a última memória que me lembro do avô foram os dias do seu eterno passeio que ele passou e passa connosco tão maravilhosamente...

...Recordo-me sempre com imensa ternura das nossas longas e saborosas conversas.

Teria eu uns 19 anos, em casa dos avós, num jantar, que começava com precisão às 19.30, lembro-me duma quase infinita conversa com o avô, sempre complementada pela nossa querida avó. Naquela ocasião, a nossa conversa foi de tal modo extensa e rica, que a mesa foi sendo levantada, reposta, e eu e o avô permanecíamos em conversa passando pela sopa, passando, talvez, pelo belo bife com arroz e batata frita, passando pelo vinho, pela fruta e doce, pelo descafeinado bem amarelo (depois de muito mechido como o avô ensinara com precisão e com maior alegria louvava se alcançado), passando pelo caramelo espanhol que a avó oferecia antes de descer para ir ver a novela, passando, naquela noite, até por um e só apenas um dedo de whisky... a nossa refeição terá terminado perto das 23.00. Quando olhei para o relógio fiquei tão supreso que exclamei ao avô: avô sabe há quanto tempo estamos a comer?...

O avô adorava e adora o encontro, o diálogo, a família, a partilha, a inteligência, por isso, seguramente, ao encontrar Deus perfeitamente se manifesta tanto em nós num tempo sem fim.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ao meu querido Avô António

Meu querido Avô,

Não consigo exprimir as saudades que todos vamos sentir... por isso vou partilhar aqui a memória mais antiga que tenho da tua presença na minha vida.

Quando era criança, nem sei que idade teria mas seguramente não mais de 5 ou 6 anos (talvez ainda em Tomar...), lembro-me de o Avô, quando estava connosco uma temporada, nos contar histórias antes de adormecermos. As suas histórias eram quase sempre sobre Índios e Cowboys e o Avô, no auge da história, simulava o som do galope dos cavalos batendo com as unhas (sempre impecavelmente arranjadas) na madeira da mesa de cabeceira. E fazia "dagadum, dagadum, dagadum, lá iam os índios; dagadum, dagadum, dagadum, e os cowboys a persegui-los..." Não me lembro como acabava a história, só me lembro desta parte e das unhas do avô a fazer aquele som inconfundível, inesquecível, que ainda hoje faço para os meus filhos (quando consigo ter as unhas arranjadas) e que eles próprios já tentam imitar.

Um grande Homem, cheio de histórias e de sabedoria, que sabia sempre, fosse em que idade fosse, interessar-nos e conversar connosco.

Obrigada por tudo, Avô!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Partilha...


Olá querida família,

Espero que se encontrem todos bem.

Vim aqui "blogar" para partilhar convosco dois grandes acontecimentos que se aproximam.

O primeiro é que o meu querido irmão e padrinho Bernardo, no próximo dia 12 irá discutir a sua tese de doutoramento, em Roma. Aqui o clã CA estará presente fisicamente e convido-vos a todos a estarem presentes em espírito.

O segundo é que a minha querida sobrinha mais nova, a Constança, será baptizada no dia 13, também em Roma.


Um grande Beijinho para todos,
Filipa.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Operação do Avô

Como já todos devem saber, o avô António no Domingo passado resolveu dar um trambolhão e ir de urgência para a CUF. Graças a Deus estavam lá a tia Isabel e o tio Vasco que assistiram e acompanharam o avô. Diagnóstico: fractura do colo do fémur, cirurgia necessária.

Ontem à noite foi a operação e correu muito bem. Recebemos algumas queixas relativamente à multidão de filhos e alguns netos que se concentraram no local e não arredaram pé enquanto não arrancaram informações sobre o decorrer da cirurgia a quem quer que passasse: médicos, enfermeiros e até auxiliares... inclusivé há quem diga que no final da operação se esgueiraram pelos corredores do hospital à revelia para irem ver o avô e se certificarem de que estava bem.

As próximas etapas são 10 dias de internamento, seguidas de 1 mês e meio de recuperação em casa com fisioterapia. O António CA ficou encarregue de seleccionar a fisioterapeuta com base em critérios objectivos.

Estamos todos a torcer pela boa recuperação do avô António!

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Relíquias


Ontem encontrei em minha casa o original desta relíquia. Tinha de vir partilhá-la convosco, nem tenho palavras para descrever esta foto. Pelo tamanho o meu pai, esta foto deve ter sido tirada por volta de 1953-1954. A Tia Teresa já lá está (a cara da Catarina), ao colo da bisavó e tem um ou dois anos...

É engraçado que o meu filho João é a cara chapada do meu pai com esta idade. Tem o mesmo sorriso traquina. O Francisco do Miguel tem aquela postura sempre meio encostado com a perninha cruzada.

Bjs a todos!