O Blogue da Família

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

O nosso tão querido Avô António

Tanta vida partilhada... do carrocel ao pôr do sol em Porto Côvo passando pela Dione na Alvares Cabral!...
Talvez a minha primeira memória do avô seja a do seu primeiro enfarte; em casa dos meus pais, teria eu uns 5 anos, nem sei, gerou agitação, o meu pai saira a correr, nós ficámos sem nada perceber, o avô... a última memória que me lembro do avô foram os dias do seu eterno passeio que ele passou e passa connosco tão maravilhosamente...

...Recordo-me sempre com imensa ternura das nossas longas e saborosas conversas.

Teria eu uns 19 anos, em casa dos avós, num jantar, que começava com precisão às 19.30, lembro-me duma quase infinita conversa com o avô, sempre complementada pela nossa querida avó. Naquela ocasião, a nossa conversa foi de tal modo extensa e rica, que a mesa foi sendo levantada, reposta, e eu e o avô permanecíamos em conversa passando pela sopa, passando, talvez, pelo belo bife com arroz e batata frita, passando pelo vinho, pela fruta e doce, pelo descafeinado bem amarelo (depois de muito mechido como o avô ensinara com precisão e com maior alegria louvava se alcançado), passando pelo caramelo espanhol que a avó oferecia antes de descer para ir ver a novela, passando, naquela noite, até por um e só apenas um dedo de whisky... a nossa refeição terá terminado perto das 23.00. Quando olhei para o relógio fiquei tão supreso que exclamei ao avô: avô sabe há quanto tempo estamos a comer?...

O avô adorava e adora o encontro, o diálogo, a família, a partilha, a inteligência, por isso, seguramente, ao encontrar Deus perfeitamente se manifesta tanto em nós num tempo sem fim.

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